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Há sempre uma razão : Poesias de Pérez Filho

Pérez Filho, Carlos Roberto Fernandes de Carvalho

2021

Abstract

HÁ SEMPRE UMA RAZÃO Há sempre uma razão em cada gesto e em cada frase um pouco de protesto, que deixa triste quem caminha só, como se fosse, à margem de uma estrada, a pedra bruta, inerte e desgastada, acariciada apenas pelo pó. Há sempre uma razão rondando a porta de quem alcança o riso que conforta e, como eu, engana a própria dor, como se fossem passos de um espinho ferindo a folha, em forma de carinho, para viver mais perto de uma flor. Há sempre uma razão no riso triste, que no meu dia entardecido existe, emoldurando o meu olhar magoado, como se fosse a máscara ferida, de uma alegria que viveu perdida na cara do palhaço mais gozado. Há sempre uma razão quando eu componho e o verso traz depois de cada sonho, um pouco da tristeza tão antiga, como se fosse a árvore agitada, que o vento deixa toda desfolhada, privando alguém de sua sombra amiga. Há Sempre uma razão quando meu canto embarga minha voz farta de espanto, e se transforma no meu grito incerto, como se fosse a voz de um passarinho, cantando o sonho de voltar ao ninho, a transformá-lo em pássaro liberto. Há sempre uma razão nos sofrimentos de quem, amando em todos os momentos, se apega mais às horas de sofrer, como se fossem ondas espumantes, que vem beijar areias escaldantes, voltando ao mar, depois, para viver. Há sempre uma razão na fantasia que humilde envolvendo a poesia, descortinando ao mundo suas imagens, como se fosse o pão de cada dia, a terna oferta, onde o poeta envia o seu amor em forma de mensagens.

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