A RUA Uma rua como tantas aquela rua dos Sonhos! Impessoal, nivelada. Casas de porta e janela. Tão nostálgica de plantas quanto batida de sol. Ficou no quadro da infância Só porque nela o menino jogou pião na calçada, teve o seu tempo de gude, lançou barcos na enxurrada e, em partidas memoráveis, chegou a ter veleidades de campeão de futebol. O RELÓGIO A criança agonizava. Na casa todos sabiam que era de noite que a morte saía de preferência para ceifar e colhêr. Das irmanzinhas nascidas não conseguia o menino nem essa ao menos reter. Noite avançada, um ruído, um tique-taque importuno se insinuou na vigília indo todos surpreender. Relógio ali não havia! Contudo, atrás das paredes, no interior dos travesseiros, em tôda parte escondido, mas em nenhuma encontrado, um relógio inexistente estava ali a bater. E assim o resto da noite, até Iolanda morrer!