Aramis Ribeiro Costa Cirandas Aquele anel que tu me deste e que era De vidro se quebrou. Aquele amor Que tu me tinhas (tinhas? Eu quisera!) Era pouco, tão pouco, que acabou. Ciranda, cirandinha em primavera Parece coisa boba, sem valor Mas a ciranda (ah!, controlar, quem dera!) Foi rodando, e meus sonhos me levou... Hoje inverno cirandas de uma espera Na amargura de tempos sem calor (Ah, cirandas, pará-las quem pudera Salvando o que de sonhos me restou!) Cirandas, cirandinhas a rodar A volta, e volta e meia vamos dar.. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Ao Cadáver Desconhecido Depositado sobre a lage fria Álgido, exangue, rijo e dissecado Guardas, no corpo teu, formolizado Exaustivas lições de Anatomia. Teus órgãos, veias, músculos que, um dia Foram teu corpo vivo e respeitado São peças de um cadáver retalhado De alguém que mais ninguém conheceria. Devias ter, no entanto, um monumento Um dia consagrado, um pensamento Do mundo contristado e agradecido. Homem, mulher, criança, não importa! Salvando vidas, tua carne morta Revive, ó imortal desconhecido. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Não Morras Não morras de tristeza por tão pouco Nem te deixes ficar desiludida Que desistir é sempre um sonho louco E tanta dor não te merece a vida. De tanto grito o teu gemido é rouco De tanto pranto a tua voz sofrida De tanta espera o teu futuro é pouco De tanta morte já não tens mais vida. Mas não desistas, não desistas nunca Nem te curves jamais ante a espelunca Que é este mundo tão torpe e azarento! Levanta desse poço em que caíste Revela ao mundo inteiro que subiste Despreza para sempre o sofrimento! * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Dezembros A mente lerda, entorpecida, arrasta Em lentidão o tempo, idéias, membros A tarde é morna e a própria vida é gasta Na lassidão completa dos dezembros. Nas esperanças dos janeiros basta A vida que desbasta dos novembros E a tarde se acomoda, lenta e vasta Na tessitura lorpa dos dezembros. O mormaço conjuga clima e fados E em planos inconclusos e adiados A tarde dezembral planeja e lembra. São tempos vesperais que sinos plangem Enquanto idéias poucos ventos tangem E a mente, mole, sem querer, dezembra. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *