Aramis Ribeiro Costa Soneto dos Olhos Azuis São como dois azuis perdidos lagos Teus lagos olhos, mansos olhos rasos Puríssimos azuis, dos prantos vasos Perdidos olhos claros como lagos. Espelham os teus olhos mundos vagos Lagos espelham sóis azuis, ocasos Translúcidos azuis dos meus acasos Teus raros olhos claros, olhos vagos. Vagueiam sobre mim teus olhos caros Claríssimos azuis teus olhos raros Perdidos olhos calmos como lagos. Espelhos que refletem mundos rasos Espelham sentimentos que são vasos Teus olhos tão azuis... azuis... e vagos. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Soneto do Amor Indefinido Amor não se define - é mágica e loucura Encontro e desencontro e encanto conquistado É cegueira total e olhar que tudo apura E tem em tal contraste o fogo renovado. Indefinido amor, impulso incontrolado Que se refaz de espera e tudo crê e jura Que arde e consome e mata o próprio ser amado Amor que se acomoda, amor que se aventura. Amor que nasce morto e ainda assim existe Amor que se desgasta em vão e se maltrata Amor que tudo pode e deve e exige e serve! Amor - encantamento que afinal resiste A esperança maior, a sensação mais grata. Indefinido amor: que o sonho te conserve! * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Soneto do Definido Amor Melhor amor se faz de coisas certas Que de sonhares vãos, imaginados Que os sonhos todos morrem, se guardados E portas de sonhar são sempre abertas. Amor que se detém nas descobertas E não nos desencontros isolados É este o definido amor dos fados O amor que acerta as vidas mais incertas. Amor.. amor.. talvez um firmamento De estrelas e cometas aloucados... Talvez um desvairado sentimento. Melhor amor se faz de coisas veras Amor de encontros, gostos e cuidados Amor de estradas longas e sinceras. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Soneto dos Olhos Verdes Esses teus olhos verdes, cor de mar, São oceanos verdes de esperança Onde as vagas, sem fim, do teu olhar Brincam de amor, em rosto de criança. Quando esses olhos verdes, a sonhar, Fazem-se vagas, em brejeira dança, Sinto a tristeza imensa de te amar E ter-te sempre apenas em lembrança. Esses teus olhos verdes, transparentes, São lindas ondas verdes, envolventes, A segredar paixão que não confessas... E nessas ondas mansas ou revoltas, Sobrenadando qual espumas soltas, Vejo infinitos feitos de promessas... * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Soneto dos Olhos Negros Teus olhos negros, tristes e profundos São dois misteriosos infinitos Onde os meus olhos vão perder-se aflitos De conhecer-te os teus secretos mundos! E sempre que retornam oriundos Desses teus olhos negros e malditos Menos sabem meus olhos imperitos Desses teus olhos pérfidos e fundos. Teus olhos negros, belos e tristonhos Eternos pesadelos dos meus sonhos Mudos espelhos de um secreto abismo! Ao ver-te os olhos negros, tão bonitos Deixo os meus olhos nos teus olhos fitos E nos mistérios dos teus olhos cismo... * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Soneto dos Seios Que lindos seios tens, formosa dama! Que belos trunfos tens, de amor guardados! Serão divinos, quando libertados Os teus seios no alvor da tua cama! Ao entrevê-los, sinto que me inflama Um desejo dos mais desesperados De arrastar-te a prazeres tresloucados De matar-me ao calor da tua chama! Vejo os teus seios lindos, pequeninos Divago em meus sonhares libertinos A imaginar, febril, concretizá-los... E de tanto nos sonhos ver-te os seios Avivo de esperanças meus anseios: Hei de tomá-los nus! Hei de beijá-los! * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Soneto dos Cabelos Esvoaçantes vejo os teus cabelos Fios de seda que vaidosa afagas Onde concentras todos os desvelos E um precioso tempo sempre estragas... Eu te suplico, não tentes fazê-los Mais belos do que são! E sempre tragas Teus cabelos bem soltos, que de vê-los Assim revoltos, me parecem vagas De um mar sem fim de eterna sedução Onde eu me afogo sempre, e com razão Pois resistir não há de alguém a tanto! E se me queres tanto quanto penso Não troques esse teu encanto imenso Por um premeditado e falso encanto... * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Soneto das Sombras e dos Passos A sombra do teu vulto me entristece Segue os meus passos, cresce, se agiganta O menino que em mim por ti se encanta Soluça no meu peito que envelhece. A neve que o cabelo te embranquece Agora em meu cabelo desce tanta Que a sombra do teu vulto, avô, se espanta Desta sombra que à tua se parece. E seguimos, as mãos entrelaçadas As duas sombras, pela vida atadas Embora pela morte divididas. A sombra do teu vulto me abre os braços Mas eu, avô, sou eu quem segue os passos Das minhas gentes mortas e queridas. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Aramis Ribeiro Costa Soneto das Mãos As tuas mãos são plumas feiticeiras São pétalas suaves e macias São nuvens brancas, leves, passageiras São pequeninas aves fugidias... As tuas mãos são juras verdadeiras São promessas reais de fantasias São despedidas tristes, derradeiras São chamas a esquentar as noites frias... As tuas mãos são preces comovidas A pedir pelas almas doloridas E a enxugar os teus prantos em segredo. E sendo as tuas mãos tão fascinantes Adoradas por prismas tão distantes São mãos que tremem pálidas de medo... * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *