Aramis Ribeiro Costa Espelho Depois de amar com tanto ardor e gosto E andar perdido em sentimentos a esmo Revejo num espelho o próprio rosto E volto para dentro de mim mesmo. A imagem que reflete é velha e gasta Parece do passado um avantesma Que atrás de si a solidão arrasta Como um rastro viscoso de uma lesma. Ao ver-me assim, de súbito, me assusto De ser o que não quero e que não gosto E afasto do meu ser tão negro abismo. Enchendo-me de cólera e a custo Esse fantasma lúgubre eu arrosto E em mil pedaços quebro o pessimismo.