HERBERTO SALES Herberto Sales, ficcionista que estreou em 1944, foi, a partir do seu primeiro livro, comtemplado com grande êxito de público. As repercussões críticas pontilharam e continuam a iluminar toda a trajetória do autor. Ainda em Maio de 1984, Malcolm Coad, de Londres, comentava a versão para o inglês de "O Fruto do Vosso Ventre" e, entre outros elogios, alinhou o escritor brasileiro, quanto à ironia com que critica a tecnocracia nessa obra, à família literária de um Gogol ou, para ficar na própria arte brasileira, Machado de Assis. Filho de um farmacêutico de família tradicional de proprietários rurais, Herberto Sales nasceu em Andaraí em 1917. Cresceu na região das Lavras Diamantinas da Bahia, acostumado às histórias dos garimpeiros e foi em meio à lei dura e à violência que o cercavam que sua sensibilidade assumiu o partido da justiça. Concluiu a escola primária em Andaraí e, na adolescência, foi estudar em Salvador. Um episódio marca bem a região de origem de Herberto. Quando o professor de Salvador lhe perguntou de onde vinha e soube que era de Andaraí, se exclamou: "De Andaraí? E quantos você já matou?" Ao primeiro obstáculo na escola, reprovado em Física no quinto ano, voltou para casa. Ainda o fizeram voltar ao colégio, mas após nova tentativa sob pressão familiar, decidiu deixar definitivamente os estudos em Salvador. Nem a literatura, mais tarde, conseguiu arrancá-lo com facilidade da terra de sua infância. As primeiras experiências com a escrita foram publicadas no jornal de Salvador A Tarde. Enquanto vivia toda a forma de aventuras em Andaraí, ia lendo e acumulando observações do gênero humano. O ingresso na carreira de escritor, diz ele, com ênfase, foi uma difícil opção que lhe exigiu empenho, contraste de disciplina com a vida boêmia em Andaraí. Afrânio Coutinho, Jorge Amado e Marques Rebelo tiveram também um papel decisivo, a ponto de ter sido este último quem o convocou para vir morar no Rio de Janeiro, a fim de se desenvolver plenamente na vida literária. Quando veio trabalhar em O Cruzeiro, no fim da década de 40, já com "Cascalho" publicado e elogiado, Herberto Sales estava definitivamente envolvido pela literatura. Até 1973 trabalhou nos Diários Associados e de 1974 até hoje dirige o Instituto Nacional do Livro. A sua liderança se faz presente também no Conselho Federal de Cultura, é membro da Academia Brasileira de Letras, da Academia de Literatura Infantil e Juvenil de São Paulo e da Academia Brasiliense de Letras. Publicou seis romances, que é seu gênero preferido, cinco livros de contos, um de viagens e sete infantis. Sua obra está traduzida em tcheco, romeno, japonês, inglês, coreano, polonês, italiano e espanhol. Vários de seus livros foram editados em Portugal e faz parte de antologias publicas no Brasil e no Exterior. Nessa diversificada obra que acaba de ser acrescida de um novo livro, "Os Pareceres do Tempo" (editado pela Nova Fronteira), destacam-se: aqui os romances e os volumes de contos: "Cascalhos", Edições Cruzeiro, Rio, 1944, refundido na segunda edição de 1951; "Além dos Marimbus", mesma editora, 1961; "Dados Biográficos do Finado Marcelino", 1947; "O Fruto do Vosso Ventre", Editora Civilização Brasileira (que reeditou os romances anteriores), 1976; "Einstein, o Minigênio", 1983; e agora, o último romance, "Os Pareceres do Tempo" (1984), o escritor o publicou Nova Fronteira. No conto, saíram "Histórias Ordinárias", Edições O Cruzeiro e a seguir pela Civilização Brasileira, 1966; "O Lobisomem e Outros Contos Folclóricos", 1970; "Uma Telha de Menos", Editorial Tormes, 1970; "Transcontos" (reunindo "Histórias Ordinárias" e "Uma Telha de Menos"), 1974; "Armado Cavaleiro o Audaz Motoqueiro", 1980. Em 1984, a Companhia Editora Nacional publicou o seu livro para crianças, "O Menino Perdido". Sem preocupação com quantidade nestas quatro décadas de produção, Herberto Sales crê que é melhor escrever pouco, mas fazê-lo tanto quanto possível bem. IMPULSO E ELABORAÇÃO: CONVIVÊNCIA PACÍFICA Alceu Amoroso Lima saudou-o como o último espécime do romance nordestino de 30. Mas Herberto Sales, além de prolongar, nos anos 40, o vigor da ficção telúrica, seguiu, décadas afora, um guardião convicto do romance. Até mesmo quando o conto parecia afogar a grande trama romanesca, por volta de 1970, ele manteve acesa a chama. Devagar e sempre, que não são muitos os livros, porém pontilhados de uma busca renovadora de temas; se inicia por "Cascalho", realizando um perfil da extração de diamantes; ao publicar o segundo romance, "Além dos Marimbus", planeja abandonar o sistema oligárquico baiano. Herberto Sales, inquieto quanto à trilha percorrida, se insatisfaz desde logo com personagens maniqueístas e procura dar consistência aos tipos. Por isso, seus coronéis podem ser sujeitos tão infelizes quanto um trabalhador explorado. Aí estão lançadas as bases da obra de Herberto Sales, que estreou em 1944 e acaba de publicar seu mais recente romance - "Os Pareceres do Tempo" editado pela Nova Fronteira. Primeiro, se destaca como romancista; segundo como pesquisador de temas que captem a contemporaneidade, sejam eles rurais ou urbanos; terceiro, garimpeiro de seres humanos, recupera das situações opressivas a ação dramática de seus personagens. Tudo apurado em um estilo que lhe custou muito conquistar. Intuitivo nos impulsos e nas paixões, é voluntário no trabalho literário. Não tem prurido ao afirmar que é um escritor que muito duramente conquistou seu caminho. A superação das próprias limitações de um interiorano sem berço literário, atingiu-a através de humildade e persistência. Graças a seu bom-humor e disposição positiva para com a aventura da vida, não se traduziu essa luta em uma expressão amargurada. Ao contrário, a construção dramática ora se vale do calor da paixão (como em "Os Pareceres do Tempo"), ora filtra a história através da ironia escrachada ("O Fruto do Vosso Ventre"). Quando, por essas linhas travessas, Herberto Sales decidiu escrever, fez uma opção e aplicou a ela toda a força de vontade: ficar em casa estudando, ler tudo que não havia lido e escrever, de forma muito penosa, as páginas de um romance. Sabia também que este era o seu gênero na ficção. Balzac e o significado do romance como narração histórica de uma sociedade é outra de suas convicções. Mesmo quando tomou consciência de que não faria eternamente o prolongamento do ciclo nordestino, não se jogou ao mimetismo que ocorria então no Brasil, aquela febre de subjetivismo, espécie de subproduto cultural francês. Sua gente, a força do Continente - no litoral urbano, no interior violento da Bahia, sua terra, ou no planalto central onde hoje reside (é diretor do Instituto Nacional do Livro em Brasília) - falam mais alto do que os sentimentos muito particulares. Se esse tipo de romance, pelo espaço que ocupa na feitura ou dimensão da pesquisa, assusta a alguns, a ele, romancista de filiação nítida a Eça de Queiroz, Balzac, Graciliano Ramos, Marques Rebelo, Manuel Scorza, nunca desencorajou. Está certo que pertence a uma geração privilegiada no Brasil cuja estréia era saudada e amparada por outros veteranos escritores ou críticos de estirpe. Hoje, um autor novo não recebe esse mesmo carinho, a atenção de que ele se beneficiou a bem da orientação e crescimento da literatura. Não fosse graças a isso e não teria reescrito "Cascalho" que só foi publicar em segunda edição em 1951. Marques Rebelo o elogiou e fez algumas observações à primeira edição, sua estréia, e o autor levou muito a sério os comentários. A professora de literatura Eneida Leal tomou um depoimento de Herberto Sales, que foi lançado pela Editora Cátedra em 1978, onde o escritor põe a nu seu processo de trabalho. Alguns escritores salientam que esse pequeno ensaio-depoimento deveria circular muito, pois é extremamente didático. Talvez o entusiasmo por esse desnudamento decorra da humildade e da persistência com que o artista se lança à literatura. Sales aponta para a gênese dessa força de vontade: "... há um fenômeno muito interessante com todo o escritor que nasce no interior, seja Andaraí ou qualquer outro lugar no mundo, inclusive os mais remotos, e vive em uma pequena comunidade; ele é sempre olhado com certo desprezo, e nasce nele o desejo de algum dia poder auto-afirmar-se perante aquela comunidade e até, num certo sentido, se vingar dela, mostrando que é alguém, enfim, que ele está acima do meio em que viveu. A única maneira que tem de fazer isso, sendo um escritor, é escrever um livro. Mas isto, embora talvez envolva um comportamento de vaidade pessoal, tem um coisa bem mais profunda, que é a identificação natural que todo o artista tem com seu meio social. Eu penso, por exemplo em Aluísio Azevedo quando escreveu O Mulato. Na verdade, ele queria escrever um livro contra o Maranhão, onde era marginalizado. E fez aquele livro extraordinário, de denúncia social na área da discriminação racial que havia então." Romance e vida se entrecruzam em Herberto Sales, como de qualquer forma todos os escritores o afirmam. Não há como escapar à experiência pessoal que se transmuta em ficção ou, melhor falando, transborda em literatura. Flaubert sintetizou a energia básica da criação: "Mme. Bovary sou eu". Herberto parte de uma idéia central: é escritor voluntarista. Mas nem tanto assim, porque não tem um plano fechado da evolução de cada romance. Tudo acontece de forma muito semelhante à criação do mundo. O autor, na elaboração do livro, é uma espécie de Deus. De qualquer maneira, o longo percurso de construção ainda está aquém do tempo da vida. Houve um tempo em que pensava que ia morrer muito cedo e se jogou às experiências com tudo. Foi por isso que só se preocupou com trabalho para valer, aos 30 anos. Percebeu que, como não ia morrer logo, o melhor era tratar da vida. E da literatura, decisão que lhe veio por conseqüência. Este sentido de que viver é mais importante e, ao mesmo tempo, de que os romances vão saindo a seu tempo, fez dele um autor sem a escravidão da palavra. Aprendeu também a dosar a intensidade do dia a dia, isolar as rodas literárias, manter-se em certa segurança e tranqüilidade. Contradições de personalidade. Como ser plano, se seus personagens, frutos dele, são esféricos? Afinal é preciso aplicar algumas posições sábias: há dez anos na direção do Instituto Nacional do Livro, se valeu de toda uma máquina, um sistema de delegação de poderes para usufruir de certa paz. Isolar o que já se chamou de "piolhos culturais". Clássico também seu comportamento em relação a noite de autógrafos. Não é por esnobação que não a frequenta. Apenas, como tem consciência de que o homem é a medida de todas as coisas e de todas as vergonhas, não acha de bom alvitre o escritor se expor pessoalmente ao público. Timidez? Não parece. Baiano bem-humorado, riso pronto, Herberto Sales age com prudência no que se refere a qualquer forma de mito. Importante mesmo é o público estar em contato com a obra, não com o autor. Já sentiu tantas decepções desse tipo... No fundo, descobriu muito cedo o valor relativo do escritor e da literatura para agora se dar ares de grande astro. "Eu vivia num lugar onde não havia o menor interesse por literatura, ou por vida intelectual. Havia um jornal que circulou durante um pequeno período, mas um jornal de cidade do interior, com notícias de aniversário etc. Era uma cidade inteiramente desligada de qualquer idéia de atividade intelectual, literária. Mas na região havia a cidade de Lençois, onde nasceu Afrânio Peixoto, que era um escritor lavrista, um grande romancista. brasileiro Então em Lençois houve sempre uma coisa em função de Afrânio Peixoto que levou, naturalmente, algumas pessoas da cidade a se preocuparem com o problema literário, num plano talvez bastante incipiente. Mas em Andaraí, apesar dessa vizinhança, dessa distância pequena de seis léguas, não havia. Andaraí era um lugar meio bárbaro, enquanto Lençois teve realmente um fastígio, foi um centro econômico e social onde se pode perceber uma civilização." (Do depoimento em "Eu, Herberto Sales", de Eneida Leal). Foi nesse trânsito de Lençois, no intercâmbio de livros da biblioteca e de pessoas letradas que iam e vinham, que Herberto buscou recuperar as leituras perdidas em Andaraí. E quando um de seus irmãos o estimulou a escrever, a imaginação já estava povoada de ficções próprias e alheias, na eterna corrente do parentesco literário. "Além dos Marimbus" nasceu desse tempo. Herberto confessa a enorme dificuldade de escrever e o desânimo que o levou a rasgar os primeiros originais. O irmão não desistiu de empurrá-lo e pôs-lhe nas mãos "O Crime do Padre Amaro". Devorou Eça de Queiroz, e a partir daí, considera-se mordido pela literatura. Jorge Amado, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Marques Rebelo, Amando Fontes matizaram de Brasil a sua paixão pelo romance. Quando começou "Cascalho", o livro brotava de tal forma torrencial que ele, até hoje não gosta de máquina de escrever, comprou uma para dar vazão ao texto. Cristalizou-se aí a consciência de elaboração. Ao terminar o original, achou-o caótico, informe. E, drama de então, não sabia como corrigir-lhe as falhas. "Eu devo ter levado um ano e meio escrevendo o livro. Durante esse tempo, eu, como todo o projeto de escritor que vive no interior, todo escritor em perspectiva, tinha a idéia de me comunicar com pessoas, com os escritores das grandes cidades. Em geral eles escrevem as cartas e os escritores não respondem. Eu devo ter escrito muitas cartas que ficaram sem resposta. Mas uma escrevi a Jorge Amado, e recebi de volta uma exemplar de Suor com dedicatória agradecendo aquela carta que ele dizia ser tão inteligente. Isto é engraçado porque o Jorge Amado é hoje meu amigo, meu padrinho de casamento, e sobretudo meu colega de Academia, prefaciador da edição italiana de Cascalho, mas naquele momento eu era inteiramente desconhecido para ele." Foi difícil para Marques Rebelo, que "adotou" o jovem talento que surgia nos anos 40, convencer Herberto Sales a se fixar no Rio de Janeiro. Mas valeu a pena demover o teimoso, o boêmio moço de Andaraí. A leitura literária se abriu consideravelmente na mudança para a capital. Aprofundou Eça, Balzac, Zola, Flaubert e se lançou aos norte-americanos modernos - Hemigway, Steinbeck, Thornton Wilder. Cervantes, Tolstoi, Dostoiesvski também se sedimentaram no aprendiz de romancista. Com esse universo e tudo o que veio depois - os latino-americanos desconhecidos no Brasil antes do chamado boom também se uniram à sua carpintaria literária - Herberto pôde firmar a consciência da própria obra, reconhecer-lhe, na base da confecção, suas grandezas e limitações. A atividade jornalística no Rio de Janeiro (em O Cruzeiro) deu-lhe a dimensão urbana que viria a incorporar a projetos futuros. O impulso e a elaboração caminham até hoje juntos. "Eu não acredito numa espontaneidade no ato de criação e acredito que a arte acaba sendo um artifício". Mas a veracidade dramática de seus personagens e de seus temas tem levado muitos comentaristas da obra a confundir a vivência do autor com o relatado na ficção. Quando se tratava da extração de diamantes ("Cascalho"), foi registrado que ele explorava essa atividade na região; quando abordava a questão dos madeireiros nas fazendas baianas ("Além dos Marimbus"), novamente o confundiram com o tema. Embora sua família, toda ligada às matas de Andaraí, lhe proporcionasse grande experiência no trato do assunto, quando nasceu já os tradicionais proprietários rurais estavam em franco declínio econômico-financeiro e haviam começado a entrar em negócios de madeira, vendendo suas matas e depois explorando as matas de outras fazendas. "Além dos Marimbus" tenta, no entanto, ir além de "Cascalho" e, por isso, foi considerado pelo crítico Moacir C. Lopes como "um romance de transição entre dois momentos da literatura brasileira, entre o romance nordestino, o chamado romance de denúncia social, com todos os seus ingredientes, e uma possível renovação do romance brasileiro." "Os Dados Biográficos do Finado Marcelino" (1965) surpreende pela mudança de técnica. Memórias do período adolescente, quando estudava em Salvador e morou na casa de um tio rico, culto, velho e solitário. Do seu encontro de adolescente com a cidade, a morte e a solidão ficou, no íntimo, um batismo de vida que andou com ele até poder desabafar em romance. Alguns críticos enquadram este livro, já urbano, como o melhor de Herberto Sales. Questão de preferência. Assim como nas universidades gostam muito de estudar a irônica metáfora da burocracia das sociedades contemporâneas em "O Fruto do Vosso Ventre". O que ele não quer é entrar na voga dos nostálgicos, os eternos temas de raiz. De livro para livro, deseja correr atrás da contemporaneidade. Os temas atuais estão aí, a desafiar o escritor. Como explicar então o último livro, "Os Pareceres do Tempo"? A trama se situa no século XVIII, em plena colonização portuguesa. Policarpo Golfão, o capitão-mor português, duro conquistador, realiza, no entanto, um antigo ideal de Herberto Sales. A paixão pela donzela Liberata se sobrepõe ao momento histórico brasileiro. Para o autor, uma atualização - compromisso seu de longa data - do vigor emocional de um "E o Vento levou..." Herberto está vibrando de expectativa: este outro tom de sua obra - a paixão acima do bem e do mal - promete muito. Depois, quer dizer, agora, em seguida voltará a cenas contemporâneas. Começa a trabalhar no romance-símbolo das mazelas de Brasília. Em plena atividade literária, devagar e sempre. Herberto defende, na literatura brasileira, a arte de saber contar uma boa história. Temos nossas sementes plantadas: o patriarca José de Alencar, Aluísio Azevedo, Machado de Assis (a posse do humor no Brasil), Manuel Antônio de Almeida. No Modernismo, a ficção viveu um momento de perplexidade. Aí então explodiu o romance nordestino. Tudo o mais é conseqüência. Como não advogar uma boa história em um país que herdou a tradição da oralidade? Numa cultura em que as mulheres e os contadores de casos assumiam a palavra, o caminho está preparado para o romance. Admite que alguns façam da gesta contos. Ele publicou alguns livros também, assim como tem escrito para crianças, mas reconhece, ou melhor, identifica seus limites. Costuma citar um crítico italiano: o romance é uma obra de acréscimo, como um quadro pintado a óleo, a pessoa vai juntando e misturando tintas, empregando camadas sobre camadas, às vezes usando a técnica da espátula, e tudo mais, sempre no sentido de acrescentar alguma coisa. O conto é o contrário. Seria a escultura, o despojamento. O sujeito vai despojando o mármore, a madeira, ou o que seja, e dali vai saindo, em sua integridade, a escultura. Herberto Sales - na vida e na literatura - age por acréscimo. Por isso está montando, desde a década de 40, quadros a óleo de sua vivência na América.